terça-feira, 4 de novembro de 2008

Antes de tudo

Antes de tudo
O pouco que sei
Pode não parecer nada
Mas é meu maior bem
Do resto nada importa
De valia mesmo o grande mistério
Imensa escuridão
Ou pequena e poderosa luz
Aos olhos que na sua quase totalidade
Enxerga o que vê com infinito amor

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Essa dança cansa

Quando não cansa
Quem tenta
Chegar onde o pensamento alcança
Dança
Eis que aqui a única pujança
É a de se encher a pança
Festança?
De pensamento, só das crianças
Enquanto isso balança
A verdade, numa louca dança

sábado, 27 de setembro de 2008

Vício do prazer

Deixa eu provar teu veneno
Essa tua urgência de amar
Inicie liberando pequenas doses
Até que me satisfaça somente com a cavalar

Consinta que eu te entregue meu ser
Que eu me sinta perdido
E que só me assossegue
Usando do ópio do teu prazer

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

À sós com nós

E se eu soubesse o que acontece comigo
Se por um dia me livrasse do peso, amigo
Se me desfizesse dessa sensação que tudo está bem
Se me livrasse das inverdades da paz e do amém
Se flutuasse o mais alto que pudesse dentro de mim
E me olhasse ciente e convicto da existência sem fim
Se eu parasse, de me julgar e, de em todos acreditar
Se eu gritasse com o afã de um mudo
E me ouvisse calado, acima de tudo
Provavemente assim seria eu
Talvez alguém muito mais que eu
Pois com certeza enxergaria à sós
O que desenrola na trama de nós

sábado, 13 de setembro de 2008

Plasmar

Quem dera plasmar
O amor
Que habita
Meu mar
Quem dera

Quem dera acordar
O sonho
Escondido
No olhar

Quem dera estancar
O choro
Quem dera acalmar
Quem dera

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Tímida anatomia

Paguei o olho da cara
Me doeu a boca do estômago
E a barriga da perna
Por não segurar no céu da boca
Dei com a língua nos dentes
Falava pelos cotovelos
Não ao pé da orelha
Mirei bem a ponta do nariz
Disfarçava esfregando as costas da mão
Olhando direto à menina dos olhos
Formigava-me o peito do pé
Não tive nervos de aço
Porém fui sincero dos pés à cabeça
Novamente dei ouvidos ao coração
Mas não arrependo nenhum fio de cabelo

domingo, 17 de agosto de 2008

A dor adora a dor

A dor que não é sua
Sua quem a sente
Cala e consente
Que ela doa crua
Nua
Na rua sem saída
Na lágrima caída
Abate infelizmente
Acaba com a gente
Dói
Corrói
Se perpetua