segunda-feira, 19 de maio de 2008

Fujas não

Não são fugas sonhar, não fujas do meu olhar.
Instantes que chego mais próximo ao nada. Me vejo sem o peso herdado da humanidade, sem os deveres a que me submeto sem saber, sem a sensação de vazio da busca pela verdade. Me sinto feliz e percebo o universo em mim, somos todos felizes nesse vácuo. Não existem motivos, nem defeitos, nem qualidades; apenas paira no ar a sensação de alívio, a sensação de se estar ouvindo músicas serenas num dia de sol, com o cheiro de flores pelo ar. O amor salta aos olhos pra todas as direções em que se olha. Não existe medo nem vergonha nesse lugar, a única lágrima que rola é de felicidade ao perceber que gente querida acaba de chegar. Não fujas de sonhar, não são fugas no olhar.

Espelho confronto

Maior dos confrontos
Luz que reflete
Mostrando minha aparência
Minha imagem distorcida
Dentro de um espaço
Tempo que corrói
O que se chama vida
Conflito de gerações
Busca desesperada pelo prazer
Do ser e do poder
Sãs e sem sentido
Atos inconsistentes
Destreza e embriaguez
No inconsciente coletivo
O que nos cega a alma?
Nos atormenta e nos acalma?
A sensação de vencer
Talvez possa nos convencer
Que nosso maior predador
Sorri quando nos vê
Refletido num espelho

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Insaníssima trindade

O corpo padece
Desce o último degrau
Porque minh'alma caminha
Com minha cegueira letal

Incansável e insaciável alma
Que nunca se acalma
Já meu corpo tonto
Nem sempre está pronto

No encontro desse desencontro
Existe um ponto central
Sou eu levado ao léu
Vivendo num mundo banal

Assim somos três
Um reclama de um lado
O outro escuta calado
Agora chegou minha vez

Corpo, alma, myself comigo
Lavando a cara, levando perigo
Agora vê se não abusa
Me tira o desassossego
Me deixa descansar
Que amanhã acordamos cedo

terça-feira, 22 de abril de 2008

Sem tempo

Tempo,
Energia cósmica
Em forma de luz
Como decifrar-te
Se não decifro a mim mesmo?
Tu me acaricias
Com teus segundos, teus milênios
Me povoas a cabeça com sonhos
Com dores e amores

Tempo mister, mistério tempo

Por quantas vezes te matei, ó tempo
Por isso me transformará em pó?
Tu que foste mágico
Trágico, já me arrebatou
Me leva pelos cantos do infinito
Sem saber se quero, eu vou

Caminhas lenta e apressadamente
Possuindo tudo
Como se nada fosse
O ontem
O hoje
O amanhã
Voçê que é e sempre será
Tudo o que me restou

(Existe tu dentro de outro tempo, como eu, que vivo ao mesmo tempo com pessoas que não têm tempo, nem fazem parte do meu tempo e não sabem se estão ganhando ou perdendo tempo?)

quarta-feira, 16 de abril de 2008

Vede a verdade

Vede a verdade
Antes que vos vede ela
Caminhai, pois, seguros
Sem temerdes a mazela

Fixai no que sereis
E quereis coisas belas
Sede a graça e o empenho
E vos encontrareis na alta esfera

domingo, 13 de abril de 2008

Amemos

O único remédio para a dor do existir é o amor
Feliz o que se entrega, o que se deixa levar por esse sentimento
Que abre a porta de sua alma e o aceita incondicionalmente
Pois ele não vingará onde existe dúvida, onde existe medo
As pessoas perdem muito tempo com coisas fúteis
Vivem acerca dum emaranhado de sentimentos inexpressivos
São incapazes de se libertar dessa sina medíocre
Porque são covardes ante o amor
Porque têm medo desse sentimento nobre
Façamos por merecer nossa existência
Sejamos nobres com o mistério com que fomos agraciados
Amemos

terça-feira, 8 de abril de 2008

Sem sina nem sinal

Vou passar por cima
Dessa poesia que não rima
Dessa dor
Desse cansaço
Vou jogar no tacho

Se desencontrado me encontro
Falando cabisbaixo
Sussurrando desagrados
Do que vem de cima
Do que vem de baixo

Ai se me descobrem assim
Segurando minha criança
Olhando sem esperança
Pro futuro incerto
Pra um futuro ingrato

Um trabalho tem que ser util
Inutil falar isso aqui
Mas se assim que penso
Assim penso mudar
Trabalha, trabalha
E deixa estar o pensar