segunda-feira, 7 de abril de 2008

Choram as mães

Sangra a terra mãe
Ao parir seus filhos
Agoniza de tristeza
A matriarca arrependida

Desespera-se a mãe natureza
A sentir-se esvaindo mortalmente
Se sacode tentando se livrar de suas criaturas
Que sugam-lhe, no ventre, a vida


Qual criaturas horripilantes criaste
Seres sedentos de raiva e de paixão
Caminham cegos por teus seios
Tolhendo-lhe a vida como se nada fosse

Seria ilusão, seria tristeza
Essa estúpida frieza contra teu ser
Que inunda de mágoas
E que fere sem trégua
Todo sonho e todo viver

Adiante

Adormece
Te solta do mundo
Das mágoas
Das dores
Ó pobre criança

Acumula tua alma
Com sonhos
Singelos olhares
Ecos da eternidade
Que renovam teu ser

Veja a vida
Não é sofrida
É tudo passageiro
Não há empecilho
Para o verdadeiro

Somos breves
Somos leves
Somos fortes
E não há o que temer
Diante da vida
Diante da morte

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Mi lagrima

Sempre que estou quase conseguindo sair de mim,
escalando minha garganta a ver o brilho do mundo por entre meus dentes,
numa vontade de me fazer um grito absurdo,
pra tudo o que sei
e o que não sei.
Eis que no último degrau de meu ser,
eu despenco.
E lá vou eu,
descendo por entre minhas vísceras,
meus órgãos,
minhas tripas.
Planando no infinito abismo de minha alma.
Fragmentos de lembranças esquecidas,
dores de todos os partos,
nos quais fui gerido e gerei,
o próprio tempo se esforçando pra se tornar a vir a ser tempo,
e ao mesmo tempo, tempo não existir.
Uma tempestade extra,
intra, ultra corporal,
carnal e espiritual que não tem fim.
O big bang de minha existência.
Impotência do ser ante o criador,
dentro dum enorme vazio.

E, quando chego perto do fim do fim,
eis que surge a primeira lágrima,
aquela que rega os sonhos,
que lava meus olhos
e faz céu azul,
acalma as tempestades,
e que me faz levantar,
e a caminhar em frente,
para sempre e de novo,
pela eternidade,
sereno,
outra vez.

quinta-feira, 6 de março de 2008

Criança que pensa não dança

A crença
Quando cansa
Pinça
Feito geringonça
Faz uma bagunça

Criança
Pensa
Cinza
Se a onça
Morre feito jagunça

Dança
Quem imensa
Ranzinza
E sonsa
Pingunça

terça-feira, 4 de março de 2008

São palavras sãs

As palavras
Ao contrário de mim
Estão soltas
Estão no ar

Sinto-as
Formando lindos poemas
Estão à minha frente
À minha mente

Porém
Não consigo pegá-las
São espertas, são ligeiras
Esperam de mim muito mais

Me querem inteiro
Me querem sabendo amar
Para em minhas mãos
Finalmente pousar

Vivo assim
Pescando-as, sonhando-as
Imaginando-as darem significados
Reais e verdadeiros
Um sentido, um contexto
Nesse eterno penar

domingo, 2 de março de 2008

Não peças, peças não

Amigo, admiro muito tua capacidade de tentar, conseguir e exibir coisas materiais, entretanto não é essa a minha sina, procuro por algo mais, não peças que te explique o que, se não consegues entender o meu jeito de viver muito menos entenderás minhas idéias.

Idéia de caminhada

"Um ato proposital tende a criar algo objetivo, já um desproposital pode criar um universo."